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Sport Club Internacional: 2026, Transição, Responsabilidade

23/12/2025
  • Sport Club Internacional: 2026, Transição, Responsabilidade

O Sport Club Internacional encerra 2025 imerso em um ambiente complexo, marcado por frustrações esportivas, restrições financeiras, desgaste emocional da torcida e um cenário político que começa a se reorganizar em torno do próximo ciclo eleitoral. Nesse contexto, a leitura de 2026 como “o primeiro dos próximos quatro anos”, expressão utilizada pelo presidente do Conselho de Gestão, Alessandro Barcellos, não pode ser compreendida como mera construção retórica. Trata-se, antes, de um sinal claro de reposicionamento institucional, que exige análise cuidadosa e responsabilidade coletiva.

Os movimentos recentes do Conselho de Gestão indicam que a atual direção trabalha com uma hipótese concreta e madura: a possibilidade real de não integrar a próxima gestão executiva do Clube. A partir desse reconhecimento, o foco desloca-se do êxito político imediato para a entrega de um Internacional mais organizado, previsível e menos vulnerável a quem assumirá a condução do Clube a partir de 2027. No futebol brasileiro, onde a lógica predominante costuma ser a da autopreservação e da promessa fácil, essa postura é incomum e, por isso mesmo, delicada.

Tratar 2026 como um ano de transição não significa abdicar de responsabilidades esportivas nem renunciar à competitividade. Significa reconhecer limites e, ao mesmo tempo, priorizar a construção de bases institucionais que ultrapassem mandatos. O Conselho de Gestão parece ter compreendido que há momentos em que governar bem não é preparar a própria continuidade, mas reduzir riscos estruturais para o futuro do Clube.

Esse entendimento se reflete em decisões que não se esgotam no curto prazo. A consolidação da função de Diretor Técnico, a reorganização do Departamento de Futebol, a integração mais consistente entre base e profissional e a contratação de consultoria externa para análise estrutural do Clube apontam para uma tentativa de institucionalizar processos, e não apenas resolver emergências. São iniciativas que só fazem sentido quando pensadas como legado, não como plataforma eleitoral.

No campo esportivo, a presença de Abel Braga como Diretor Técnico e a contratação de Paulo Pezzolano como treinador devem ser lidas dentro dessa lógica. Não se trata de apostar em nomes salvadores, mas de estruturar um ambiente de trabalho mais protegido, menos exposto a pressões circunstanciais e mais coerente com um projeto técnico. Pessoas não substituem governança; funcionam quando inseridas em um sistema claro, com papéis definidos e responsabilidades bem delimitadas.

A dimensão financeira reforça o caráter de transição de 2026. O orçamento aprovado é conservador porque a realidade impõe cautela. A ausência de competições continentais, a necessidade de controle rigoroso de custos e a dependência de receitas projetadas exigem prudência. O discurso de reestruturação financeira só ganhará credibilidade se acompanhado de transparência permanente, critérios objetivos e prestação de contas contínua. A torcida aceita sacrifícios quando percebe seriedade e coerência; o que não aceita é a distância entre discurso e prática.

É precisamente aqui que se impõe um aspecto central e distintivo do Internacional: a torcida como ativo institucional. Ao longo de sua história, o Clube do Povo não foi sustentado apenas por dirigentes ou resultados, mas por uma massa de torcedores que sempre atuou como parceira ativa nas vitórias e nas crises. A institucionalização da Camisa 12 como símbolo do torcedor não é mero gesto simbólico; é o reconhecimento de que o torcedor integra o próprio espetáculo e a identidade do Clube. A elevada participação associativa e o engajamento recorrente da torcida nos processos decisórios reforçam essa singularidade. Em momentos decisivos, a presença no Beira-Rio, o apoio nos jogos e a capacidade de mobilização fizeram diferença concreta. Em um ano de transição, valorizar a torcida não é concessão retórica, mas estratégia institucional: trata-se de reconhecer um patrimônio humano que sustenta o Clube para além de gestões e calendários.

O ambiente político, contudo, permanece como o maior desafio. Ano eleitoral tende a acirrar disputas, fragmentar consensos e estimular narrativas simplificadoras. Movimentos internos, legítimos em sua origem, correm o risco de se afastar do interesse maior do Clube quando passam a operar exclusivamente em função do próximo pleito. Soma-se a isso um ecossistema de informações marcado por vazamentos seletivos e análises feitas mais para engajamento do que para esclarecimento. Esse ruído ameaça qualquer tentativa séria de transição.

Se o Conselho de Gestão presidido por Alessandro Barcellos pretende conduzir 2026 como um ano de passagem responsável, isso exige corresponsabilidade de todos os atores. Da gestão atual, espera-se clareza de objetivos, comunicação honesta e diálogo institucional. Dos movimentos que se apresentam como alternativa futura, espera-se maturidade: crítica qualificada, compromisso público com a continuidade do que for estruturalmente correto e rejeição explícita ao oportunismo. Da torcida, espera-se vigilância ativa, participação consciente e recusa a instrumentalizações.

Na perspectiva da Instituição, o eixo é inequívoco: o Internacional é maior do que qualquer gestão, grupo ou eleição. Um ano de transição não é sinal de fraqueza política. É sinal de responsabilidade institucional. Preparar o Clube para quem virá depois é serviço elevado, ainda que politicamente ingrato.

2026 exigirá trabalho silencioso, escolhas impopulares e capacidade de sustentar processos em meio à pressão. Exigirá, sobretudo, que cada ator responda a uma pergunta decisiva: está a serviço do Internacional ou de um projeto pessoal de poder? A resposta definirá não apenas o próximo mandato, mas a qualidade do futuro que o Clube do Povo poderá construir.

O Internacional não precisa de salvadores em ano eleitoral.
Precisa de seriedade, continuidade, transparência e do engajamento responsável de sua torcida - compromisso com o que permanece.

Por Harlei Noro | Pensamento crítico com apoio GPT.




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