Entre o Caos e a Ordem: A Democracia e Seus Inimigos
A palavra "sistema" tornou-se um conceito maleável, frequentemente manipulado para atender a interesses obscuros. Alguns utilizam o termo para desviar atenções, distorcer a realidade e corroer os fundamentos do Estado Democrático de Direito. Em meio ao barulho das narrativas, que oscilam entre o ressentimento e o ódio, um grupo se fortalece: aqueles que, sob o pretexto de combater um suposto "sistema corrupto", na verdade, trabalham para desestabilizar qualquer controle institucional sobre suas ações. Mas quem são esses artífices do caos? Qual o verdadeiro objetivo por trás de sua retórica inflamável?
A Construção da Crise e a Ilusão do "Sistema"
A crítica ao "sistema" não é novidade. Desde a antiguidade, pensadores políticos alertaram para os riscos de manipulação de massas através da insatisfação popular. A democracia, enquanto modelo de governança, é particularmente vulnerável a discursos extremistas que, ao mesmo tempo que se apresentam como salvadores, corroem suas estruturas por dentro.
A estratégia é simples e eficaz: apontar falhas reais no funcionamento das instituições e usá-las como argumento para defender a destruição do sistema vigente. Não se trata de uma crítica construtiva, voltada para aprimorar o funcionamento do Estado e a garantia de direitos, mas de uma retórica de terra arrasada, onde tudo deve ser demolido para dar lugar a um projeto autoritário de concentração de poder.
A Corrupção do Estado e o Ressentimento como Ferramenta Política
As forças que promovem o caos não operam no vácuo. Elas têm um objetivo bem definido: minar qualquer estrutura que imponha limites ao poder de determinados grupos políticos e econômicos. A partir da disseminação de fake news, do ataque sistemático a instituições democráticas e da relativização de princípios básicos da convivência social, esses atores buscam moldar a sociedade conforme seus próprios interesses.
A extrema direita e setores conservadores do chamado "centrão" instrumentalizam a desinformação para se perpetuar no poder. O ressentimento da população é canalizado para fortalecer a polarização e enfraquecer qualquer tentativa de reconstrução social baseada no diálogo e na cooperação. Dessa forma, a população, em vez de exigir melhorias concretas, se torna massa de manobra para agendas que promovem o autoritarismo e a exclusão.
A Falsa Defesa da Liberdade e a Busca pela Impunidade
O discurso da liberdade de expressão é outro campo onde essas forças atuam com habilidade. Sob a bandeira da defesa da liberdade individual, legitimam ataques à democracia, promovem discursos de ódio e defendem medidas que favorecem a impunidade de agentes públicos e privados que violam as leis. Não por acaso, muitos dos que clamam por “anistia” para crimes políticos são os mesmos que buscam formas de blindagem contra investigações e responsabilizações futuras.
A impunidade de políticos e empresários que desviam recursos públicos e atentam contra o Estado Democrático de Direito é um dos principais desafios contemporâneos. Quando a corrupção se torna um instrumento para desestabilizar as instituições, não estamos diante de um sistema falho, mas sim de um ataque planejado ao próprio conceito de justiça.
Um Convite à Reflexão: Qual o Nosso Papel?
Diante desse cenário, cabe a cada um de nós uma pergunta essencial: como podemos resistir a essa corrosão sistemática da democracia? A resposta está na informação qualificada, no fortalecimento da sociedade civil e na mobilização constante em defesa das instituições democráticas.
Precisamos:
- Desenvolver pensamento crítico, questionando narrativas simplistas e identificando interesses por trás dos discursos polarizadores.
- Valorizar o diálogo democrático, promovendo debates pautados na busca pelo bem comum e não na destruição do adversário.
- Fortalecer o compromisso com a justiça social, garantindo que a política não seja ferramenta de poucos, mas um instrumento para o benefício da coletividade.
- Cobrar transparência e ética de agentes públicos, impedindo que os mesmos que prometem combater o "sistema" apenas o reconfigurem em seu próprio benefício.
A democracia não é um presente garantido; é uma conquista diária, que exige vigilância e participação ativa. Em tempos de caos planejado, a lucidez e o engajamento se tornam as únicas armas possíveis para evitar que as instituições sejam capturadas por aqueles que veem no descontrole um meio de perpetuar seus privilégios. Se quisermos garantir um futuro verdadeiramente democrático, precisamos começar agora.
Por Harlei Noro | Pensamento crítico com apoio GPT




